terça-feira, 16 de abril de 2013

UM REINO DENTRO DE NÓS





 Jesus implodiu a maneira de pensar e de viver dos homens não tinha medo de ser morto e nenhum receio de dizer o que pensava.
   Jesus perturbava de tal forma os intelectuais de Israel, que causava insônia em quase todos. Seus pensamentos e sua maneira de ser se confrontavam com os deles.
   Testaram sua capacidade de pensar, sua integridade, sua perspicácia, seu conhecimento sobre as Escrituras antigas, sua relação com a nação de Israel e com a política romana.
   Jesus causou tanta indignação aos seus opositores que produziu alguns fenômenos políticos quase impensáveis. Homens de partidos radicalmente opostos se uniram para destruí-lo.
   Aquele homem simples da Galileia foi considerado uma grande ameaça á nação de Israel, ameaça maior do que a que representava o poderoso Império Romano. A cúpula tinha medo de que Jesus contaminasse a nação com suas idéias. de fato, havia razão para temê-lo, pois sua idéias eram contagiantes.
   Mas Jesus era especialista em lidar com as sua próprias emoções. Quando nós somos submetidos ao um estresse intenso, o corpo reage e a mente se retrai, travamos nossa capacidade de pensar.
   Jesus possuía uma sabedoria incomum. O ambiente ameaçador não o perturbava. Nas situações mais tensas, em vez de travar a memória e agir por instinto, ele abria o leque de seus pensamentos e conseguia dar respostas brilhantes e imediatas.
   Jesus não queria o trono político. Almejava o trono de dentro de cada pessoa. Afirmava que Deus, embora eterno, invisível e onipotente, queria instalar o seu reino no espírito humano.
      Não é estranho esse desejo? Embora haja tanto espaço no Universo para o Todo-Poderoso recostar sua "cabeça", o carpinteiro de Nazaré procura sua morada no ser humano, mesmo sendo este saturado de defeitos.
   Os fariseus e os herodianos queriam, com seu radicalismo, matar aquele dócil homem.
   Toda a pessoa radical é incapaz de fazer uma leitura da memória e extrair informações que lhe permitam pensar em outras possibilidades além daquelas às quais rigidamente se apega.
   A rigidez é o câncer da alma. Ela não apenas fere os outros, mas pode se tornar a mais drástica ferramenta autodestrutiva, e destruir a esperança.
   As pessoas que acham que seu problema não tem solução criam uma barreira intransponível dentro de si mesmas.
   Não importa o tamanho do nosso problema, mas a maneira como o vemos e o enfrentamos.
   A esperança e a capacidade de nos colocarmos como aprendizes diante da vida são os critérios fundamentais do sucesso. Jesus estava querendo produzir seres livres, sempre dispostos a aprender e cheios de esperança.
   Nas situações mais tensas, ele não se embaraçava nem se preocupava em ter reações imediatas. Pensava antes de agir e não reagia antes de pensar.
   Grande parte dos nossos problemas surge porque reagimos antes de pensar. Nas situações mais tensas, reagimos com impulsividade, e não com inteligência. Sentimos a obrigação de dar respostas imediatas diante das dificuldades que enfrentamos. Travamos nossa capacidade de pensar pela necessidade paranoica de dar respostas socialmente adequadas, pois temos medo de passarmos por tolos ou omissos se não respondermos de acordo com as expectativas alheias.
   Precisamos aprender a proteger nossas emoções quando formos ofendidos, agredidos, pressionados, coagidos ou rejeitados.
   Somente alguém que é livre por dentro não é escravo de respostas.
   Quem gravita em torno dos problemas e não aprende a olhar pra dentro de si mesmo para pensar antes de reagir faz das pequenas barreiras obstáculos intransponíveis, das pequenas decepções, um mar de sofrimento.
   Precisamos aprender com Jesus a ser navegantes em nosso próprio ser e a não ter medo de pensar.
   Seja feliz.....!!

segunda-feira, 18 de março de 2013

ELAS Merecem!




ELAS Merecem!
“Toda mulher foi esculpida pra sentir-se única, mesmo fazendo o papel de várias”
.
Um dia entenderei como funciona a mente feminina, mas enquanto este dia não chega o negócio é admirá-la. Como pode? Deve existir algum dispositivo clonado da divindade dando a elas a capacidade da “pluralidade proativa de percepção pragmática do cotidiano”. (Captou? Queria filosofar um pouco…!) Aterrissando do devaneio, simplesmente é incrível como elas conseguem fazer um montão de coisas tudo ao mesmo tempo. Já percebeu? Discretas e poderosas as mulheres destilam tamanha habilidade de ações múltiplas que nos reduzem a meros mortais admiradores de sua força ateniense embrulhada em dons inquestionáveis. Elas conseguem, nós não!
Hoje acordei com vontade de honrar esta qualidade ímpar na minha esposa, que desfila soberana na passarela do meu mundo. Ao homenageá-la extasiado, repouso em paz na possibilidade justa de estender este reconhecimento a tantas outras por aí. (Podem se incluir, vocês merecem!) Pois acredito, cada vez mais, que toda mulher foi beijada por Deus pra sustentar em seu corpo de titânio responsabilidades tão imensas quanto incríveis: ser bela, ser mãe, ser forte, segura, companheira, divertida, educadora, profissional, caseira, decidida, prevenida e a lista seguiria implacável até a costa da Malásia. Mulher é um universo de nuances indecifráveis digna de uma obra de arte.
Escrevo enquanto minha heroína dorme – um sono profundo pelo cansaço, e supérfluo pelo estado de alerta. Desde que virei pai-coruja minha mulher se tornou mãe-absoluta. Malcolm Montgomery disse: “o nascimento da mãe é o mais importante” (Mulher, o Negro do Mundo, p. 155), por isso, quando a maternidade chega, o mecanismo feminino de sobrevivência sofre alterações instintivas inacreditáveis. Elas conseguem dar banho sem tomar banho, podem alimentar se alimentando, decifram um choro indecifrável, trabalham fora protegendo dentro, e ainda, como não bastasse, cuidam de si cuidando de nós, maridos, que não cuidamos de nós mesmos. “Agora embalo dois!” – ela disse uma vez, empurrando-me profundezas abaixo pra notar seu heroísmo. Não adianta, faço tudo pra ajudar, mesmo assim, às vezes atrapalho mais do que ajudo. É quando, num passe de mágica, ela se reveste de força sobre-humana pra dar conta do recado.
Outro dia, vivi a radiografia de um instante único: minha super-mulher tinha um olho no fogão com a papinha cozinhando, outro olho no bebê que espancava a mesa plástica, uma mão no controle remoto zapeando pro canal infantil, outra mão pra mamadeira de água rolando pelo chão, enquanto um pé puxava a cadeirinha infantil, outro pé fechava a porta do armário, ouvia pelo viva-voz a avó no celular, e ainda conseguia me enviar um “daqueles” sorrisos capazes de me fazer o homem mais bem-vindo do planeta ao voltar pra casa. Petrificado, encostei na parede tentando entender, encabulado: “como pode? Ela é humana, ou uma alienígena com poderes cósmicos?” Foi quando me despertou, saudando: “oi, amor! Chegou?! Beijo!” – ali estava a verdadeira rainha me obrigando a me prostrar em seu palácio real.
Mulheres. Ah! Como ganharíamos mais se perdêssemos mais. Explico melhor: se perdêssemos nossa indiferença, largássemos nossa pretensa onipotência e deixássemos pra trás nosso machismo arrogante, veríamos quanto valor existe nesta pessoa de garra polivalente e curvas estonteantes. Elas merecem nosso encantamento insistente, e deviam ser cortejadas feito misses – ainda mais, se coroadas pela maternidade. O que conseguem fazer simultaneamente é pra ocuparem o Guinness Book da capa à contracapa. Seus sentidos são bélicos: escutam ruídos ininteligíveis, o silêncio é um grito de alerta, distinguem o choro certo no meio de outros mil, sentem cheiros há quartos de distância e agem à velocidade da luz no perigo iminente. Tá louco!Uma mãe é um soldado de elite alvejando todos os alvos com extrema precisão.
Semana passada, voltei pra casa após quinze dias viajando. Doido de saudade da eterna-amiga-parceira, além dos souvenirs de sempre, presenteei-lhe com um “passe livre” de 90 minutos pra ela fazer seu exercício preferido correndo no parque. Ouvi uma sabatina de orientações e não gravei nenhuma. “Sou pai de uma filha maravilhosa. Dou conta do recado!” pensei prepotente. O que ocorreu, a seguir, foi a maior ginástica da minha vida. Duas semanas longe, e minha filhinha se transformara numa alucinante bola de basquete elétrica com energia descontrolada que nem Itaipu daria conta. Enquanto eu tirava meus blue-rays da banheira lá do quarto, reunia os controles do Wii “tele-transportados” pras panelas da cozinha. Os imãs de geladeira “fugiram” até o armário de azeite de oliva, e resgatei um sapato meu de dentro do vaso sanitário, que esqueci aberto – por não ter escutado a sabatina maternal. Dando água na mamadeira, já tinha que abrir o biscoito de maisena, foi quando notei o rastro no tapete da outra fralda cheia, misturado às migalhas de pão espalhadas em toda minha mala recém-aberta. Lembrei, tarde demais, que o chuveiro pro banho prometido continuava aberto e, ao pisar afobado no chão encharcado, ensopei minhas meias novas, e a barra da calça. Um barulho na sala espatifava outra cadeira no chão e, ao chegar, meu passaporte já estava na mesma boca desdentada cujos dedinhos espremiam meus óculos puxados da mesa. O celular sinalizava o chefe chamando, enquanto a TV “milagrosamente” ligou no volume máximo. Tropecei numa caneca que “escapou” pro meio do corredor, e já não dava mais pra impedir o “ser extraordinário” espremendo creme de barbear fuçado na bolsa de higiene. A incompetência do pai disparou nela o choro de saudade da mãe – foi quando caí na risada, tentando controlar o desespero de ser completamente tosco. Neste instante a porta abriu, e só me lembro de ter escutado “amor, e aí, como foi?”, pra cair exausto semi-acordado no tapete…, junto daquela fralda. (Tá rindo porque não foi você!)
Homens, ELAS merecem. E como merecem! Sempre mais do que temos reconhecido do lado de cá da nossa previsível civilização masculina, e nunca menos do que nossa humildade em apreciar as virtudes inimitáveis delas. Dar conta do recado é obra de especialistas dignas de remuneração milionária – ou, pelo menos, da mais alta compreensão da nossa parte quando os nervos ficam à flor da pele. Equalizar tantas cobranças da maternidade, dedicar-se à profissão de educar sério, administrar um corpo lindo colapsado pela gravidez, e ainda dar atenção a um marido-coruja que só faz uma coisa de cada vez, tudo isso – e muito mais – é a validação inquestionável do poder feminino que move o mundo. “Mulher virtuosa, quem a achará? (…) Ela lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida” (Provérbios 31:10 e 12). Esta versatilidade camaleônica é prova irrefutável do tremendo plano exclusivo de Deus para uma mulher, mãe e esposa. Ela não pode vacilar diante das assombrações do dia-dia – nem ousar desacreditar no espetacular projeto de eternidade desenhado pelo Criador.
Enquanto isso, nós, pais-corujas, temos a obrigação de sermos machos o suficiente para proteger e defender nossa fêmea-multi-tarefas, e homens o bastante pra revestir de carinho a companheira preciosa que o Céu nos ofertou. Sei que temos muitas outras qualidades masculinas incomparáveis, mas fazer tudo ao mesmo tempo pra todos e em todos os lugares, me perdoem, isso é habilidade exclusiva delas. Agora, podemos aprender? Ô, se não… Claro que sim! Não é humilhante um pai querer ser um pouco melhor como mãe, nem vergonhoso um marido desenvolver a flexibilidade de uma esposa. Na estrada dos relacionamentos, todos nós crescemos amadurecendo juntos.
Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas” (Provérbios 31:29). Cada mulher foi esculpida para sentir-se única, mesmo fazendo o papel de várias. Sábios são aqueles que valorizam isso! Quando a pressão da luta pela vida invadir o coração masculino, espremendo nossa sensibilidade romântica contra um muro de compromissos, agendas e negócios, temos de ver que do “lado pink” também tem sangue, suor e lágrimas. Elas foram feitas completas porque estávamos incompletos, e achadas porque ficaríamos perdidos. “Disse o Senhor Deus: não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Genesis 2:18).O Criador foi tão perfeito que pôs no homem a força de fazer bem uma coisa por vez, e fez dela a auxiliadora insubstituível pra tudo mais ser feito também.
Fica aqui meu conselho de “marido-coruja”: se ela merece, e você reconhece, deixe-a saber! Sob o avental de guerra ela precisa receber um elogio de paz. Os respingos de comida salpicados na roupa justificam um abraço carinhoso daquele “que sabe que não sabe”. Chegamos cansados do trabalho, eu sei, mas elasficaram cansando no outro trabalho: ser mãe, ser tudo, ser sempre. E estes seres que mereceriam o Olimpo estão ali dividindo nosso mesmo lar. Sem dúvida, vale a pena engrandecer quem faz por merecer.
E ELAS merecem!

PaiCoruja.eu

quinta-feira, 14 de março de 2013

Padrão Inatingível de Beleza

     As mulheres, sem o saber, foram colocadas num campo de concentração ditatorial. Toda vez que uma mulher está diante da imagem de uma modelo supermagra apontada como exemplar consagrado de beleza nas revistas, jornais, TV, cinema, essa imagem é arquivada automaticamente no inconsciente.Essas imagens uma vez gravadas , mesmo que elas não queiram ou percebam, formando um padrão de beleza, que assassina a auto-estima e a auto-imagem.
     Quando as mulheres estão diante do espelho, a imagem real refletida detona o gatilho que abre janelas em nossa mente com o padrão doentio de beleza.
     Então vem o choque. Elas começam a se angustiar e a rejeitar certas partes do corpo, pois a imagem que é refletida é diferente da imagem escravizadora do inconsciente.O resultado é que centenas de milhões de mulheres se tornam infelizes e frustradas. 
     Uma mulher observa imagens das modelos cujos corpos são diferentes do seu. Essas modelos usam roupas, jóias, sapatos, xampus, celulares e perfumes que ela gostaria de adquirir. A mulher registra não apenas os objetos do desejo mas a imagem das modelos também.Essa imagem estimula a busca paranóica pelo padrão inatingível de beleza que expande a ansiedade, que por sua vez é projetada na necessidade de consumir o objeto. Este processo gera o consumismo.
     Nas crianças e nas adolescentes , o padrão doentio de beleza afeta as áreas mais importantes da personalidade. Desde cedo elas deixam de se sentir belas, atraentes, e passam a ser controladas pelo desejo asfixiante de serem o que não são. Crianças e adolescentes, inclusive os garotos, querem consumir cada vez mais para tentar tampar o buraco emocional que o sistema predador abriu. Eles nunca mais olharão para si mesmos com singeleza, suavidade, encanto.
     Além do padrão de beleza fora do comum, a computação gráfica tira todos os "defeitos" que possuem, como manchas, sardas, pintas, verrugas, estrias, celulite, contribuindo ainda mais para um padrão tirânico de beleza.
     O esterótipo de beleza gera um câncer emocional.
     A vaidade da mulher não deveria ser abolida, mas refinada, lapidada como um diamante. Elas deveriam ir aos salões de beleza não para ficarem bonitas, mas para ficarem mais bonitas, porque já são belas e encantadoras com o corpo que têm, com a graça que possuem.
     Cuidar da beleza e procurar se sentir atraente é um sinal de vida na mulher, um reflexo de sua saúde psíquica, pois sem entusiasmo pela existência a vida seria um tédio, um convite à depressão. No entanto, a vaidade compulsiva, o gravitar na órbita do corpo, rejeitá-lo e invejar a beleza que não se possui é um sinal de adoecimento psíquico.
     A beleza está nos olhos de quem observa. Quem se vê bela,  será bela, ainda que esteja fora do padrão neurótico de beleza.
     


     Precisamos fazer uma revolução inteligente  e serena contra essa dramática ditadura.Começando por nós mesmas , um grande abraço!!

Trechos do livro A ditadura da beleza.

     

quarta-feira, 13 de março de 2013

Com certeza eu usaria!


A Arte de Ser Autor da Própria História

 






 Somos a única espécie, em meio a milhões na natureza, que pensa, tem consciência de si mesmo e escreve sua história.Um privilégio indescritível, é verdade. Mas temos escrito uma história que nos liberta ou nos aprisiona? Que expande nossa autoimagem ou sufoca nossa autoestima? Que liberta nosso imaginário ou deprime nossa inventividade? Que expande nossa inteligência ou bloqueia nossas habilidades?
     Muitos vivem em sociedades livres, porém são escravos de suas emoções. Escravos modernos, algemados pelo medo, insegurança e angústia; acorrentados por preocupações irrefreáveis, por pensamentos perturbadores e por uma mente inquieta, ansiosa, agitada, que pensa descontroladamente e teima em não relaxar.
     O grande desafio é treinar nossa mente para ser livre e tranquila num dos territórios mais difíceis de se explorar do universo, o planeta psíquico. Tão próximo e tão distante...
     O quanto você já explorou desse planeta?
     A maioria de nós vive só na superfície, não penetra nas camadas mais profundas da mente.
     A mente humana é tão complexa. Para alguns, uma pequena aranha é um animal belíssimo; para outros, uma fonte de pânico. Para alguns, as derrotas provocam a garra e o desejo ardente de superação; para outros, geram culpa, vergonha e o desejo de esconder sua face do mundo.
     O que as derrotas tem feito com você? 
     Você conhece pessoas que fora de casa são "anjos", dóceis, mas, portão adentro, tornam-se agressivas e intolerantes? E pessoas que sorriem socialmente, mas por dentro estão angustiadas? 
     Todos nós queremos uma mente saudável, regada de prazer, livre, segura, resiliente, criativa, mas frequentemente a deixamos inadequadamente solta. Mentes tímidas, agitadas, ansiosas, imaturas, pessimistas, amedrontadas, flutuantes, depressivas são mentes destreinadas.
     Você tem protegido sua emoção ou ela é um barco a deriva, sem bússola?
     Como equipar a nossa mente e que ferramentas usar? Quantas vezes uma mísera crítica, uma tola preocupação, uma débil ofensa estraga nosso humor  e promove a irritabilidade?
     Devemos desenvolver nossa inteligência e o prazer de viver, sermos autores de nossa própria história , é o nosso mais solene direito e o nosso mais importante desafio.
    
 Mentes Brilhantes  Mentes Treinadas
     



 

terça-feira, 12 de março de 2013

Alguém que conhece verdadeiramente uma mulher


“Se os olhos são as janelas da alma, as pupilas da mulher são persianas do paraíso.”
.Os Olhos Dela


Deus é onisciente, mas as mulheres são quase!” escutei de um admirador delas. Já percebeu que não existe doutorado no mundo capaz de ensinar um homem enxergar o que só elas conseguem ver? Seus olhos são microscópicos a ponto de perceber um fio de cabelo na ombreira do blaizer, e telescópicos pra notar o encanto de uma lua cheia. Seus olhares explodem numa galáxia de diamantes ao ganharem uma bolsa nova, mas também marejam lágrimas quando o mocinho do filme morre no fim. Numa piscada de relance obrigam joelhos masculinos beijarem o chão, e noutra mais direta silenciam uma criança esgoelando há horas. São olhares multifacetados de mosca em corpo de sereia. Não adianta, se os olhos são as janelas da alma, as pupilas da mulher são persianas do paraíso. E não é porque tudo ali são “mil maravilhas”, mas porque elas conseguem ser seletivas ao extremo. Sabem o que, quando e como olhar – e até demais!
Minha filha está crescendo e, com ela, uma mulher-mãe merecendo o Nobel da Percepção. Se a fase de embalar seu corpinho de um palmo já passou, chegou a hora de correr atrás dela feito maluco – tanto com pernas, quanto com olhos. Eu até ganho na corrida das pernas, mas jamais – nem de longe – ganharei da esposa nos “100m rasos” do olhar. Ela vê coisas que ainda não existem, mas, certamente, logo existirão. É uma profetiza num avental. Absurdo! Semana passada, ela previu: “amorzão, não deixa cair semente de azeitona no chão!”, adivinha o que sufocou nossa filha minutos depois? Depois, profetizou: “gatão, enrola o fio do computador, por favor?”, a coitadinha desfilou 3 dias com um mega-galo na testa, depois de quase se enforcar. “Lindão, feche a tampa do vaso sanitário!”, em que manancial de águas a mocinha fez seu oásis? E a mais recente: “fortão, não largue seus pesos de chumbo por aí, tá?”, tudo bem, já pedi mil desculpas pela boquinha dela virar a da Angelina Jolie! Vem cá, será que sou tão azarado a ponto de ter que inventar todos os adjetivos anteriores? Pois é, acho que sim! A verdade é que a mulher vê além e, se não cuidar, o homem aquém. Vida cruel… pra nós!
O que vem a seguir? Essa virtude feminina provoca nossa altivez masculina. Eu sei! Mas, o negócio é valorizar isso nelas contando pontos a nosso favor. Não tem saída! Elas sabem que suas “meninas dos olhos” são melhores que nossos “grosseirões míopes”. Sua percepção mais nítida expõe nosso estrabismo desajeitado. Surge, então, a aberração da cegueira de uns machos por aí: querer obrigá-las pela força se submeterem a esta fraqueza. Impensável! Você consegue imaginar um homem vesgo ameaçando uma mulher visionária? Ou um maluco de bíceps explorando os favores da abelha-rainha? Não admito um brutamontes estrábico agredindo alady de olhar de águia. Nem permita você também!
Como não têm perfeitos antes do Céu, reconheço que, de vez em quando, viro farinha do mesmo saco. Um dia, cheguei do trabalho, e lá fui dar uma de “olho que tudo vê”. Fiquei impaciente porque minha esposa não pagara uma fatura na internet. Ela me ouvia matraqueando ao mesmo tempo em que espiava nossa filha escalando a cristaleira. Após meu discurso de rei, foi a vez dela me fazer enxergar: “Fofinho (me adjetivei novamente!), não paguei a conta porque a web caiu, a diarista não pôde vir, a bebê vomitou 3 vezes, chequei a febre dela, tive de trocar 5 fraldas, dar banho pra dormir, fazer a cerimônia da janta dela, atender seus pais que ligaram, limpar a cozinha pra torná-la habitável, falar com o síndico, pedir sua pizza preferida e remarcar o pediatra desta tarde. O que você acha?” Enquanto eu gaguejava, remoendo aquelas expressões que homem nunca encontra, ela já sumia da minha frente pra segurar a filha no ar antes de se espatifar no chão da sala. “É… hmm… a internet já voltou?!”, me ofereci mansamente envergonhado.
Não adianta, é sempre mais fácil olhar pros outros do que através do olhar dos outros. Ponto final. Não somos ralé e elas imaculadas, mas, querendo ou não, precisamos reconhecer que temos muito a aprender – inclusive com as mulheres. Isto não significa ter que diferenciar o esmalte branco pérola do branco marfim, muito menos um salto palito do plataforma, quer dizer ouvir a voz do sexto sentido e a praticidade das soluções múltiplas. Elas olham simultaneamente, enquanto nós, exclusivamente. Por isso precisamos arejar nossas tradições bitoladas e admitir a versatilidade ímpar deste Universo Pink. Quem sabe, se admirássemos mais suas virtudes agregadas economizaríamos energia vital pra investir em outros sonhos? Tenho lutado num ringue íntimo contra a petulância que só me torna mais tonto. Pois, na verdade, covardia não é fugir de alguém, é não suportar reconhecer o potencial deste alguém. E isto pra nós, homens, vira machadada no ego ao ver nelas algo indestrutível. Pena alguns não perceberem o quanto se ganha quando o amor se traduz em admiração de maneira pura. Ninguém perde, todos ganham!
São os teus olhos a lâmpada do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso” (Lucas 11:34). Tá explicado porque certas pessoas irradiam uma luminosidade capaz de conquistar o mundo ao seu redor. Enquanto alguns são meras lanternas de pilhas fracas, tem gente varrendo o horizonte dos mares como um farol despontando na rocha. Como você vê os outros determina como os outros verão você. Olhos radiantes nem sempre serão da própria luz, mas sim, do reflexo vivo de admiração por alguém que merece ser reconhecido. E nossas lâmpadas masculinas deveriam perceber, mais e melhor, os castiçais femininos que engrandecem nosso próprio ambiente. Pense nisso!
E o olhar delas? Ah, aquele olhar… Continuará multiplamente imbatível e sorrateiramente ambíguo. Uma deliciosa mistura de praticidade desconcertante com um toque de sensibilidade indecifrável. Milênios não ousarão compreender o enigma de tanta poesia piscando tanta força. Será sempre assim: elas antevendo por sentir, e nós protegendo por nos deixar encantar. Viverão um momento à frente na linha do tempo enquanto nós às cortejaremos gratos por chegar mais longe. Serão cidadãs do futuro pra nossa admiração no presente pavimentar lembranças incríveis do passado. Que elas olhem – sempre, tudo e antes – pro bem da humanidade e tornando a vida ainda mais bela. Com tudo isso, ganharemos junto às vitórias delas. Até que um dia nossos olhos se cruzem novamente, como foi na primeira vez e, de novo, percamos o rumo encantados por aquele olhar – e com tudo mais que o acompanha.
Desculpa, vou lá exterminar todos os caroços de azeitona do chão.
Aqueles olhos lindos merecem muito mais de mim.
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